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ESG E A CRIAÇÃO DE VALOR AO NEGÓCIO

ESG E A CRIAÇÃO DE VALOR

A tradução livre de buzzword é palavra ou frase da moda, que se torna popular por algum tempo, onde muitas vezes seu significado original é removido pelo uso da moda, sendo usado somente para impressionar outras pessoas. Algumas buzzwords utilizadas no contexto certo mantêm seu significado técnico, como por exemplo, ‘Inteligência Artificial’. No mundo dos negócios uma das buzzwords que muito escutamos é ‘think outside the box’ ou ainda, ‘sinergia’, ‘vertical’, ‘agile’. Mas e o que dizer do ultimamente tão falado ESG, sigla em inglês para environmental, social and governance’ ou, a aplicabilidade no negócio das melhores práticas ambientais, sociais e de governança. Às vezes até pode parecer ou soar como uma nova buzzword no mundo dos negócios. Fazendo com que haja inclusive uma espécie de síndrome do ‘FoMO’ – Fear of missing out nas corporações.

A SIGLA ESG FOI CITADA PELA PRIMEIRA EM 2005 EM UM RELATÓRIO ELABORADO PELA ONU – ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS CHAMADO “WHO CARES WIN

A iniciativa contou com a participação de 20 instituições financeiras de 9 países diferentes (Brasil estava lá) onde a pauta era como incluir as questões ambientais, sociais e de governança na linguagem de gestão e avaliação de empresas. E a conclusão desse relatório foi que a incorporação desses fatores gerava mercados mais sustentáveis e indefinidamente resultados mais efetivos para a sociedade como um todo.

Uma sigla que há 17 anos molda o futuro dos negócios (inclusive financeiros), e que sentimos que esse futuro nunca esteve tão presente como nesse mundo pós-pandemia, onde pensar estratégia para perenidade dos mercados e, consequentemente, dos negócios nunca esteve tão urgente nas pautas e que, diga-se de passagem, antes anuais agora em menor timing e para sua máxima eficiência, com sua gestão à vista.

O CAPITALISMO DE STAKEHOLDERS

Contextualizando nosso funcionamento econômico, vivemos hoje o que chamamos de capitalismo dos stakeholders onde diferentemente do capitalismo do acionista onde a ênfase estava na riqueza do acionista em detrimento de outros interesses, agora a criação de valor está voltada a todos os agentes que compõe o ecossistema do negócio (colaboradores, fornecedores, comunidade, meio ambiente, consumidores, acionistas, etc.)

Linha do tempo Capitalista

CAPITALISMO DA GESTÃO => DO ACIONISTA => DOS STAKEHOLDERS => DO CONSUMIDOR

Fonte: Bruna Losada, 2021

Em meio a muitas discussões sobre o tema existe também uma última categoria de capitalismo que chamam de capitalismo do consumidor. Colocando-o como no centro do poder das organizações, trazendo a necessidade da criação de valor a ele e como consequência à toda a cadeia para trás dele (incluindo todos os stakeholders).

Acredito que estamos entre esses dois últimos, sendo que a criação de valor para o consumidor, indiscutivelmente é a BASE para toda a sustentabilidade de toda a cadeia.

A CARTA AO MERCADO DE LARRY FINK

Recentemente Larry Fink, CEO Global da BlackRock, uma gestora de ativos com mais de US$ 10 trilhões em sua carteira, anunciou um centro de estudos para o capitalismo de steakholders em sua carta anual ao mercado.

“Não é uma agenda social ou ideológica. Não é ‘justiça social’. É capitalismo, conduzido por relacionamentos mutuamente benéficos entre você e os funcionários, clientes, fornecedores e comunidades nos quais sua empresa depende para prosperar. Esse é o poder do capitalismo.”

No centro de estudos serão reunidos CEOs, investidores, especialistas em políticas e acadêmicos líderes para compartilhar suas experiências e apresentar seus insights. 

Suas cartas servem de norte ao mercado, tendo em vista a robustez da carteira sob custódia, e nos últimos anos Larry enfatiza o ESG como única saída para a perenidade das empresas. Leia a carta de Larry Fink na íntegra aqui, está imperdível!

Vimos em nosso artigo ‘O mindset analítico e a criação de valor para o negócio’ a fórmula de Assaf para CRIAÇÃO DE VALOR, sendo os benefícios econômicos geradores de caixa sendo maiores que o retorno exigido pelos proprietários de capital.

Estamos falando em perenidade dos negócios, isso quer dizer sua capacidade de geração de caixa no longo prazo, certo? Capacidade de geração de Caixa Futuro é garantido pela constante manutenção ou aumento da Percepção de Valor no negócio bem como alocação eficiente de Capital. E o sucesso das empresas ainda é medido pela capacidade de remuneração desse capital. Portanto as estratégias escolhidas hoje refletirão todos esses pontos no Longo Prazo.

Segundo estudo da consultoria PwC os entrevistados na Pesquisa Global de Investimento responsável de Private Equity 2021:

  • 66% consideram a criação de valor um dos 3 principais impulsionadores de investimentos responsáveis
  • 72% avaliam as empresas-alvo do ponto de vista de riscos e oportunidades ESG na fase pré-aquisição
  • 56% recusaram acordos gerais de parceria ou investimentos por questões ESG

Percebe-se uma grande movimentação para o investimento sustentável – categoria que inclui o investimento em ESG, no qual questões ESG se sobrepõe à busca pelo desempenho financeiro.

ESG e a Criação de Valor

Fonte: PwC, 2021.

O ESG pode ser usado, pelo lado do investidor, como investimento em empresas voltadas à sustentabilidade, que além de critérios de resultados financeiros, o investidor olha também critérios de impacto ambiental, social e de governança. E pelo outro lado, o de investido, cria-se mais uma possibilidade de captação de recursos para o negócio através de emissão de títulos de dívida, por exemplo.

O Estudo completo aqui.

Levou um tempo para que as empresas percebessem que trabalhar o capitalismo de stakeholders e ESG possibilita a criação valor e que existe uma real oportunidade de negócios, somando-se a isso o ‘FoMO’ que citamos acima, potencializa a percepção do ESG como ‘ferramenta’ ou como ponte para mais uma onda de transformação, igualmente à ‘transformação digital’ que testemunhamos nos últimos 2 anos.

E você, tá preparado?

See you soon.

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Sobre Maria Eugênia Faccio

Head de Inteligência do Studio Estratégia, especialista em Gestão Financeira Custos e Resultados pela FGV/RJ, Master in Business Innovation pela Católica/SC e bacharel em Economia pela UFSC. Consultora e Professora de graduação e pós-graduação - MBA na área de Finanças e Empreendedorismo, Mentora na Rede ACATE. Founder e Head de Mercado da BIZI_a Business Intelligence Hub. Hoje trabalha o mindset de inovação, finanças e dados em startups, médias e grandes empresas Nacionais e Multinacionais.

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